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Clareamento de dentes vitais com peróxido de hidrogênio de alta e baixa concentração

A evolução da odontologia estética trouxe o desenvolvimento de materiais e técnicas que possibilitaram a reabilitação e harmonia do sorriso. Assim, o clareamento dental tem se tornado um procedimento rotineiro no consultório odontológico, já que é considerado um tratamento conservador e acessível. O escurecimento dental ocorre devido à presença de moléculas longas e complexas no interior da estrutura do esmalte e dentina, que alteram as propriedades de absorção e dissipação da luz. Após a aplicação dos agentes clareadores na superfície do esmalte, ocorre uma difusão trans-dentinária e transformação do peróxido de hidrogênio em radicais livres, permitindo a quebra dos pigmentos.

Diversos fatores estão relacionados à pigmentação dentária, como a impregnação de corantes advindos da alimentação, acúmulo de biofilme ou materiais dentários, deposição fisiológica de dentina, má formações do esmalte, uso de medicamentos e fluorose. Independentemente da origem, a anamnese e exame clínico-radiográfico são essenciais para avaliar previamente as expectativas dos pacientes, causas do escurecimento dentário, e a presença de fatores de risco, como trincas, restaurações insatisfatórias, lesões cariosas, recessão gengival ou sensibilidade dental. Portanto, para alcançar excelentes resultados e prognóstico favorável, é necessário que o profissional conheça o mecanismo de ação e segurança biológica dos géis e técnicas clareadoras. 

RELATOS
DE CASO

Os pacientes selecionados para o tratamento foram submetidos a uma anamnese detalhada, exames periodontais, clínicos e radiográficos. Investigaram-se possíveis fatores de risco como presença de trincas, dentina exposta, uso de nicotina e antibióticos, traumas, anormalidades dos tecidos moles, restaurações desadaptadas, lesões cariosas e áreas de recessão gengival. Utilizaram-se diferentes técnicas de clareamento, empregando Peróxido de Hidrogênio 35% (Pola Office Bulk) e 9,5% (Pola Day). As avaliações colorimétricas foram registradas no incisivo central e canino com a escala de cores Vitapan Classical A1-D4 (Vita, Bad Sackingen, Alemanha).

Relato de Caso I:

Paciente A.M.C.F., sexo feminino, 24 anos, procurou a clínica de Pós-graduação em Dentística Restauradora, insatisfeita com a coloração de seus dentes. Anamnese e exame clínico revelaram dentes com tom amarelado e ausência de sensibilidade dentária. A cor inicial dos dentes superiores foi classificada como A3 para os incisivos centrais e A3,5 para os caninos. Na arcada inferior, os incisivos centrais e caninos tinham cor A2 e A3, respectivamente. Propôs-se o clareamento de consultório com uso de géis de alta concentração (Pola Office Bulk, SDI, Austrália). 

Nesta técnica, primeiramente realizou-se uma profilaxia prévia com pedra pomes e água, seguida do afastamento labial e mucosa jugal. Posteriormente, confeccionou-se uma barreira gengival fotopolimerizável (Gingival barrier® – SDI) nos dentes anterossuperiores, delimitando a área de aplicação do agente clareador, a fim de evitar danos térmicos ou ressecamento do tecido gengival.

Após a manipulação do produto, o gel clareador foi aplicado na superfície do esmalte por 8 minutos, conforme a indicação do fabricante. Posteriormente, o gel foi removido com água e auxílio do sugador, e reaplicado por mais três vezes. Ao final de cada sessão, a barreira gengival foi retirada, e os dentes foram polidos com pasta de polimento e discos de feltro, seguidas das recomendações ao paciente.

Foram realizadas três sessões com intervalos de sete dias, monitorando-se a evolução colorimétrica do tratamento. Após a finalização, os incisivos centrais e caninos superiores atingiram a cor B1 e A2, respectivamente. Para a arcada inferior, os incisivos mudaram para a cor A1 e os caninos para A2. Durante a terceira sessão de clareamento, a paciente relatou mínimo desconforto, assim como nas 24 horas subsequentes, porém expressou satisfação com o resultado alcançado. 

Relato de Caso II

Paciente I.G.Z., sexo masculino, 22 anos, foi atendido na clínica de Pós-graduação em Dentística Restauradora, apresentando uma alteração de cor dentária. Após a anamnese e exame clínico, identificou-se que os dentes tinham um tom amarelado, mas sem histórico de sensibilidade dentária, tornando-o um candidato adequado para o tratamento de clareamento. Não foram detectados fatores extrínsecos ou intrínsecos que contribuíssem para a coloração dentária, sendo ela de origem fisiológica.

Na escala de cores utilizada, a arcada superior inicialmente apresentou o escore A2 para o incisivo central e B3 para o canino, enquanto que a arcada inferior estava com A2 para o incisivo e A3 para o canino. Para este caso, a técnica de clareamento caseiro foi indicada, utilizando géis de baixa concentração (Pola Day, SDI, Austrália). 

Posteriormente, foi realizada a moldagem das arcadas superior e inferior do paciente com alginato (Jeltrate – Dentsply – Indústria e Comércio Ltda., Petrópolis, Rio de Janeiro, Brasil) para a obtenção de modelos de gesso do arco dentário. Uma moldeira de acetato de 1 mm de espessura foi confeccionada usando uma plastificadora à vácuo (Plastvac P7 – Bio-art Equip. Odontol. Ltda, São Carlos, SP, Brasil). As moldeiras foram testadas no paciente para verificar a adaptação, retenção e ausência de áreas isquêmicas. 

Conforme as instruções do fabricante, o gel clareador foi aplicado e deixado em contato com a superfície dentária por 30 minutos. O excesso de produto foi removido com escova de dente ou gaze. O processo de clareamento foi acompanhado durante todo o tratamento, com retornos semanais do paciente. As instruções e possíveis efeitos colaterais foram discutidos com o paciente e, após três semanas, o tratamento foi concluído. O resultado final mostrou que a arcada superior atingiu o escore B1 para o incisivo central e A1 para o canino. Para a arcada inferior, tanto os incisivos quanto os caninos alcançaram a cor A1.

CONSIDERAÇÕES
FINAIS

Diante dos casos apresentados, os agentes clareadores de baixa e alta concentração atingiram o resultado esperado em poucas sessões de tratamento, oferecendo eficácia, segurança e satisfação aos pacientes.
REFERÊNCIAS

1. Bernardon JK, Sartori N, Ballarin A, Perdigão J, Lopes GC, Baratieri N. Clinical performance of vital bleaching techniques. Oper Dent. 2010;35(1):3-10.
2. Franci C, Marson CF, Briso, ALF, Gomes MN. Clareamento dental- técnicas e conceitos atuais. Rev Assoc Paul Cir Dent. 2010; 1:78-99.
3. Ubaldini AL, Baesso ML, Medina Neto A, Sato F, Bento AC, Pascotto RC. Hydrogen peroxide diffusion dynamics in dental tissues. Journal of Dental Research.2013; 92(7):661-5.
4. Baratieri, LN, Maia, E, Caldeira de Andrada, MA, Araujo, E. Caderno de Dentística: Clareamento Dental. São Paulo: Santos; 2003.
5. Bernardon JK, Baratieri LN. Clareamento de dentes vitais. Soluções Clínicas. Florianópolis: Ponto; 2008.
6. Baratieri LN, Monteiro Jr. S. Odontologia Restauradora: Fundamentos e Possibilidades. 2. ed. São Paulo SP:GEN Grupo Editorial Nacional/Editora Santos; 2015.
7. Maia EAV, Vieira LCC, Baratieri LN, Andrade CA. Clareamento em dentes vitais: estágio atual. Clin Int J Braz Dent. 2005;1(1):8-19. 

autoria
do caso

Daylana Pacheco da Silva

Produto
em Destaque

pola office

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